MANIFESTO PELO RETORNO AO CRISTO: Um Clamor contra os Abusos, a Alienação e a Profanação da Fé
"Apascenta as minhas ovelhas." — Jesus
(João 21:17)
"Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e
honraram e serviram mais a criatura do que o Criador..." — Romanos
1:25
"Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não
profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e em teu nome não
realizamos muitos milagres?’ Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci.
Afastem-se de mim, vocês que praticam o mal!" — Jesus (Mateus 7:22-23)
A Chamada
É com profundo temor, tremor e tristeza que observamos e
constatamos, ao longo dos anos, o estado atual das instituições que “carregam”
o nome de Cristo e se dizem “igreja” — sejam elas históricas ou contemporâneas.
Por suas práticas, condutas e devaneios, tais instituições têm causado inúmeros
males, desentendimentos, confusões e escândalos sucessivos no meio evangélico e
cristão.
Diante disso, faz-se necessário distinguir entre aqueles que
são de Cristo e os que apenas pensam que são. A diferença é enorme. Merece
desaprovação e repúdio toda falsidade e engano perpetrados por aqueles que se
autointitulam a voz de Deus para os homens, ou que afirmam ter recebido uma
“revelação exclusiva” à qual todos devem obedecer sem questionar.
Observa-se, com pesar, que a mensagem central nos púlpitos,
altares, palcos, shows e mídias não é o verdadeiro ensino de Jesus. O Evangelho
da graça, da cruz, da partilha e do amor radical e sacrificial foi sequestrado,
usurpado e deturpado. Foi substituído por abusos de autoridade, pela
mercantilização do sagrado e por um sincretismo obscuro, com práticas pagãs
disfarçadas de piedade. Essas práticas moldam a mente e o coração daqueles que
necessitam de resgate, salvação, libertação e cura, mas acabam por aliená-los
em dinâmicas desedificantes.
A Usurpação do Nome e os Abusos em Nome de Deus
Devemos repudiar com veemência aqueles que pregam, agem e
falam "em nome de Jesus ou de Deus" para exercer domínio, manipulação
e opressão sobre a vida alheia, impondo obediência sob ameaças e visando ao
lucro próprio.
Saibam, vocês que praticam tais atos, que Deus nunca pediu
que governassem ou julgassem em Seu nome. O Altíssimo jamais delegou procuração
a “líderes” para que se tornassem senhores da consciência individual, ditadores
do comportamento ou juízes do destino eterno de qualquer ser humano. Como diz a
Escritura:
“Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do
meu pasto, diz o Senhor...” — Jeremias 23:1
“Assim diz o Senhor Deus: Ai dos profetas loucos, que
seguem o seu próprio espírito e que nada viram!... Viram vaidade e adivinhação
mentirosa os que dizem: O Senhor disse; quando o Senhor não os enviou; e fazem
que se espere o cumprimento da palavra... Porventura não tivestes visão de
vaidade, e não falastes adivinhação mentirosa, quando dissestes: O Senhor diz,
sendo que Eu tal não falei?” — Ezequiel 13:3,6-7
A única ordem explícita deixada pelo Criador e encarnada em
Jesus foi para que, em resumo, amemos, acolhamos, sirvamos e cuidemos uns dos
outros. Vocês que praticam tais enganos sabem muito bem disso. A grande
distorção — e a maior das depravações — é utilizar o nome do Senhor para
validar projetos pessoais, silenciar questionamentos legítimos e camuflar
abusos espirituais, psicológicos, financeiros e sexuais.
O Cristo que caminhou entre nós ensinou o desapego, a
humildade, a busca pelo Reino de Deus e a Sua justiça, exortando-nos a amar uns
aos outros seguindo o Seu próprio exemplo. Hoje, porém, o que se vê é a
mercantilização do sagrado (e o sagrado é Cristo). Vemos o Evangelho do
Sacrifício trocado pelo Evangelho do Consumo; a teologia da cruz substituída
pela teologia do triunfo terreno; e o alívio do fardo prometido, trocado pelo
fardo da culpa. Testemunhamos promessas vazias de prosperidade material e barganhas
espirituais que em nada diferem dos antigos cultos pagãos.
A Invasão das Práticas Pagãs e a Idolatria
Introduzido por rituais e mentalidades que distorcem a
simplicidade de Cristo, e sob o manto de "atos proféticos",
"correntes de libertação" e "superstições
institucionalizadas", o paganismo foi reintroduzido na igreja moderna,
produzindo alienação em grande escala. Destacam-se:
- A
idolatria de líderes: Homens e mulheres transformados em semideuses
infalíveis, cujas palavras e atitudes não podem ser questionadas.
- Os
amuletos espirituais: Objetos "ungidos" e rituais mágicos
usados na tentativa de manipular a vontade de Deus.
- O
foco obsessivo no mal: Uma fixação em forças malignas e maldições que
ignora que o perfeito amor lança fora todo o medo, gerando uma mentalidade
de pânico generalizado.
Essas práticas não libertam; elas escravizam a consciência
humana, desviando os olhos do Único que resgatou a humanidade por um preço
altíssimo na cruz.
As consequências desastrosas podem ser vistas pelos seus
frutos. O resultado desse falso ensino é a alienação mental, uma vez que os
fiéis são ensinados a não pensar, a não questionar e a terceirizar sua
espiritualidade. Esse cenário gera sofrimento psíquico e o colapso da saúde
mental dentro das comunidades, fruto de uma espiritualidade tóxica que pune a
dúvida e adoece a alma.
O mandamento de amar uns aos outros foi desintegrado. Em vez
de comunidades de acolhimento, muitas igrejas tornaram-se arenas de julgamento,
polarização, exclusão e ódio contra o diferente. O amor, que deveria ser a
marca registrada dos discípulos de Cristo, foi substituído pela busca de poder
político, social e por bens materiais. Querem ganhar o mundo, sem considerar a
perda da própria alma.
Clamor pelo Retorno ao Cristo Verdadeiro e ao Evangelho
da Graça
Para aqueles cujas existências foram transformadas e que
reconhecem a urgência do retorno ao verdadeiro caminho que é Cristo, diante
destes fatos, não há espaço para a omissão. Devemos orar antes de tudo e:
- Rejeitar
toda e qualquer teologia que use o nome de Jesus para enriquecimento,
manipulação psicológica, abusos e busca de poder temporal.
- Denunciar
o sincretismo pagão que substitui a fé genuína e o arrependimento por
rituais de barganha e misticismo vazio. Devemos dizer não aos falsos
pastores, pois eles não representam aqueles que são de Cristo.
- Retornar
às Escrituras, à simplicidade do evangelho e à centralidade da pessoa de
Jesus Cristo, pura e simplesmente.
A igreja institucional e os homens que a lideram precisam
morrer para as suas vaidades, suas práticas hediondas, seus impérios, suas
heresias, suas mentiras e a prática do engano, para que o Cristo Vivo possa,
finalmente, ressurgir no meio dela.
Voltemos ao Caminho. Voltemos à Verdade. Voltemos à Vida.
Voltemos a Cristo.
Por Mauricio P Carmo.
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