quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sobre ser Igreja, Estar Igreja e Outras Variantes Gramaticais


Tenho a impressão de que a forma que as pessoas utilizam determinadas palavras em seus discursos expressa muito do que elas pensam sobre esse termo. Jacques Derrida, um dos filósofos da chamada pós-modernidade, nega que a linguagem tenha um significado fixo relacionado a uma realidade fixa ou que ela desvele uma realidade definitiva. Dentro dessa perspectiva a palavra falada está intimamente ligada a sua fonte.
Ora, nessa perspectiva lingüística percebemos como o termo "Igreja" é utilizado de formas tão variadas e contém significados totalmente díspares entre pessoas que compartilham do mesmo ambiente social.
Quando "vamos à igreja", a Igreja se torna mero objeto indireto, e quando fazemos uma campanha para "construirmos uma nova igreja" ela se torna objeto direto. Nessas visões a Igreja é vulgarmente isso: um objeto de nosso caprichos e desejos sórdidos em dominar algo do qual não temos controle.
Porém quando "somos a Igreja" ela se torna predicado e quando a "Igreja somos nós" aí sim ela é sujeito. Sujeito esse que conseqüentemente necessita de um verbo para completar essa oração.
A grande questão é que em nossos jogos lingüísticos, achamos que estamos falando da mesma coisa, mas o diálogo torna-se impossível porque, enquanto uns são sujeitos de suas ações e de suas existências, outros apenas tornam suas ações objetos de seus egos inflados.
Enquanto não se compreender essas diferenças lingüísticas, sempre será impossível ser Igreja sem ir à igreja, será incompreensível estar Igreja sem pregar igreja. O discurso nesse caso volta a ser católico medieval, extra ecclesia nulla salus, fora da igreja não há salvação; e sendo discurso, é sempre escravo da linguagem e de seus signos.
Mais do que a nova reforma ortográfica da língua portuguesa, torna-se necessário a reforma gramatical dos conceitos eclesiais, e a reforma de pessoas que teimam em serem prisioneiras da letra que mata em vez de livres no Espírito que vivifica e santifica a Igreja.

Por William Koppe
Comentário: Quem sabe esta é a razão para tantas esquisitices, tantos desmandos, os chamados retêtês e outras firulas, que criam mais confusão do que edificação, mais medo do que temor, fazendo com que a fé deixe de ser racional para ser emocional, resultando em frustração coletiva inibida, e por fim, depressiva.
"Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema.
Como antes temos dito, assim agora novamente o digo: Se alguém vos pregar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema"
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Gálatas 1, 8 e 9
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